sábado, 3 de setembro de 2011

DAY 2 – Heading to India


Ainda no aeroporto de Johannesburg, África do Sul, passo pela fiscalização e me dirijo à área de embarque. O aeroporto é gigantesco e LINDO. Fiquei maravilhada com uma loja típica africana cheia de tudo que se pode imaginar no mundo africano. Fiquei meio tentada à comprar alguma coisa, mesmo sem saber exatamente o que. Mas aí, falei pra mim mesma: “Vai com calma, Coolerman, daqui 7 semanas tu estás de volta e ‘this time for Africa’”; deixei a loja de lado e me dirigi à um balcão de informações para saber qual era o meu portão. Errei o caminho (e fui parar do outro lado do aeroporto, já morrendo de dor na coluna do vôo anterior e mais o peso da minha mochila, que está simplesmente ENTUPIDA de coisas). Ao chegar, finalmente, no portão onde eu embarcaria mais tarde, tinham somente duas pessoas, e poltronas confortáveis me esperando para esticar a coluna e um cochilo experto (antes eu tentei usar o pc e acessar a net para dar notícias de vida, mas meu pc já estava descarregando e a tomada deles é diferente da nossa... deixei de mão...); acordei com o barulho das pessoas chegando para o embarque e com uma voz  me perguntando: “você fala português?”. Era uma menina, de 16 anos que estava saindo de casa pela primeira vez, para fazer um intercâmbio high-school, em Pune, na Índia. Tudo bem que ela não estava a mais empolgada das pessoas, mas pô, com 16 anos eu tava voltando ao Canadá, pela segunda vez, e estava longe de sonhar em um dia vir parar na Índia. Enfim, tirei o chapéu pra guria, mesmo ela tendo me “explorado” o vôo inteiro (ajudei ela com malas, imigração, comida, etc...). No avião, mais 9hs de vôo me esperavam. O vôo não estava lotado e eu tinha uma fileira de quatro lugares, vazia, todinha pra mim, certo? #not. Descobri que a “folga” não era uma característica só dos chineses; fui ao banheiro e quando voltei, tinha um indiano estirado nas 3 poltronas, me deixando mal a minha, pra sentar. (Y)
Procurei mais assentos de 4 lugares vagos, mas já estavam todos ocupados. Me contive com um de dois lugares que me deixou com torcicolo da posição em que dormi, mas, pelo menos, eu dormi.
9 longas horas (dessa vez o tempo passou mais devagar) mais tarde, eu finalmente pouso na INDIA!! Engraçado que a proporção que foi passando o tempo, eu fui ficando super relaxada e tranquila, como se tivesse voltando pra casa... Quando saí de SP eu falei: “cara, o que jhabuss eu to indo fazer na Índia??”; pouco antes de chegar em Mumbai eu me senti com uma vontade incrível de GRITAR: “cara, EU TÔ NA INDIAAA, &%$#@” (obviamente eu não gritei, afinal de contas, eu não preciso de muito para atrair todas as atenções para a minha pessoa...). Me senti segura e confiante de que fiz a escolha certa. Sei que ainda tenho um longo caminho pela frente antes mesmo de poder dizer se gostei ou não dessa experiência, mas só o fato de ter chegado aqui me tranqüilizou e me fez sentir orgulho das minhas decisões.
Em Mumbai eu tive que pegar minhas bagagens (orei pra que elas não tivessem sido extraviadas; não foram. #meusantoéforte!) e as da guria que não sabia fazer nada, sozinha. Era 1h da manhã (aqui o fuso já é maior que na África: +03:30, totalizando 08:30hs de diferença com o Brasil) e o aeroporto estava vazio. Fui checar minha passagem para Délhi: era só as 17:30, ou seja, eu teria que esperar por mais 16:30hs no aeroporto, para pegar um vôo para Delhi, onde eu só chegaria a noite e teria que dormir no aeroporto para pegar o ônibus para Jaipur no dia seguinte (por segurança), pela manhã. Decidi pesquisar preço de passagens direto para Jaipur e que eu ficasse menos tempo esperando. Enquanto a Cia aérea não abria, eu fui procurar meu celular (que eu uso de mp3) para escutar música. Quem disse que eu achei?? Nessa história de trocar de poltrona para dormir, eu devo tê-lo esquecido no bolsão da poltrona (eu a minha cabeça de vento. #ficaadica pro presente de Natal, hein, galera? =D). Ainda voltei na Cia aérea, mas disseram que não encontraram nada (um outro senhor esqueceu a carteira, com tudo dentro, e também não acharam; o que me fez pensar que a minha situação era tranqüila,ainda mais se tratando de um cel velho que eu ganhei da Claro, uns 4 anos atrás). O bom de ter perdido o cel, é que esse moço que perdeu a carteira, me ajudou com algumas coisas e até me emprestou o cel dele, para eu entrar em contato com o pessoal da AIESEC em Jaipur. Depois da gente ter se conformado com a nossa perda, eu fui atrás da nova passagem e descobri que viajar, de avião, pela Índia é MUITO BARATO!! Paguei 85dollares na passagem direto para Jaipur, em um vôo que ia sair às 05:40 (quando eu comprei a passagem, já era 3:50hs). Detalhe, Mumbai fica quase ao Sul da Índia e Jaipur ao Norte. Ou seja, cruzei vou cruzar o páis por menos de R$150,00; coisa que não se vê no Brasil. Ainda em Mumbai, tive contato com o primeiro “bichinho de estimação” deles: um RATO!! Sim, aqui não é Disneylândia, mas é cheia dos Mouses; tanto quanto em Buenos Aires é cheio dos pombos.
Do aeroporto eu consegui acesso à net e dar notícias, pelo face, de que eu já estava na Índia, e tava inteira. Logo depois eu corri pro meu portão, que já estavam chamando para o embarque. Jaipur, aí vou eu!!! 

ps: Sugar cube do dia, que eu acabei lendo atrasado - "O que acontece comigo é que eu tinha andado de braços fechados. Sem perceber."
#ficaadica... acho que isso explica muita coisa, agora...

Day 1 – Leaving Home


Finalmente chegou o grande dia. Malas prontas, passagens e passaporte em mãos. Mas ainda sinto que tem algo faltando... ah, lembrei, é a ficha! Sim, a ficha que ainda não caiu! Quem diria que um dia eu ia ter a curiosidade e a  CORAGEM de fazer intercâmbio na ÍNDIA?? Logo eu que passei a adolescência inteira planejando mochilões pela Europa; esportes radicais na Austrália e Nova Zelândia; Work (slave) experience no USA e festas “calientes” no México. Quanto a África... só me passava pela cabeça conhecer a África do Sul, pois disseram que é igual a Austrália, só que mais barata (Y).
Poisé, mas as coisas mudam (amém) e eu acho, que de alguma forma “mudei e pra melhor, e ninguém precisa acreditar nisso para que eu tenha realmente mudado”, diria o grande Caio F. (vão logo se acostumando com frases dele, porque ele vai me acompanhar em TUDO! Preparei “sugar cubes” com minhas frases favoritas dele –as que li até agora –; todo dia eu pegarei uma dentro da minha caixinha de çai/tchai e ela servirá de inspiração para os escritos do dia... along, é claro, com as experiência que eu irei viver). A gente vai crescendo, amadurecendo (nem todos...infelizmente) e vai percebendo o mundo com outras lentes... começa a pensar o mundo “out of the Box”; e foi a minha curiosidade de conhecer o novo, movida pelos programas e objetivos da AIESEC (organização a qual faço parte) que me trouxe até aqui. Saí de casa sem saber ao certo o que eu tava sentindo: medo, excitação, ansiedade, curiosidade; qualquer sentimento diferente da calma e tranqüilidade que eu senti em janeiro, quando voltei ao Canadá, pela terceira vez;  país que eu já conheço a cultura, os costumes, culinária e domino a LÍNGUA. Anyway, cheguei a conclusão que só ao chegar na Índia é que talvez eu comece a entender os meus sentimentos...
Saí de Floripa às 10hs da manhã e fui para Guarulhos, aguardar meu vôo para Mumbai (Índia) que só sairia às 18:20 hs. Primeiro “problema”: excesso de bagagem, pois as passagens foram compradas separadas e o trecho FLN-GRU só conta como doméstico, o que significou menos R$120,00 no meu pobre bolso! Mas tudo bem, eu já esperava por isso, pois aconteceu a mesma coisa quando fui pra Vancouver, em janeiro.
Chegando em Guarulhos, recolho a bagagem e vou fazer o segundo check-in, dessa vez, internacional. Pensei: “ah, agora tô de buenas... tenho direito até duas malas de 32kg”... poisé, de fato eu tenho direito a isso, mas não tenho direito a compensação (ou seja, não posso exceder os 32kgs em uma mala, mesmo que a outra esteja bem abaixo do limite); resumindo: lá vou eu arrancar os plásticos que eu tinha mandando enrolar, ainda em floripa, por segurança e higiene e começar a transferir peso de uma mala à outra... adivinhem o que estava pesando tanto: as CACHAÇAS!! Bastou eu passar os dois litros de uma mala para a outra e ficou tudo lindo. Beleza, check-in feito, consegui assento no corredor (u-hulll) e fui embarcar. Antes do embarque, resolvi “colher” meu primeiro sugar cube do Caio, e eis que ele me diz: “vou ali ser feliz e já volto”. Ok!! Missão dada é missão cumprida... ainda mais vinda do meu autor favorito. Acredito que essa frase era o que eu precisava ouvir/ler para me tranqüilizar e saber que eu tomei a decisão certa ao escolher esses destinos para viver as minhas experiências de intercâmbio AIESECas.
Na sala de embarque, a fila tava kilométrica para o meu vôo, que estava lotado. Pensei: “meu assento ta garantido, logo, não vou ficar nessa fila pagando promessa”. Esperei todo mundo entrar e entrei por último (nesse meio tempo, encontrei o Karim – Egípcio que estava lá em Floripa -; me despedi dele, que estava voltando para casa e me disse “good luck” quando eu repeti que estava indo para a Índia). Só que graças a isso, eu quase não consigo espaço no bagageiro para pôr as minhas tranqueiras. Portanto, momento #ficaadica: embarquem o mais cedo possível, para garantir seus pertences acima da sua cabeçinha (tchêêêê) durante o vôo ;)
O vôo era completamente multi- étnico: brasileiros, chineses, indianos, africanos e uns outros gringos galegos que não dá pra dizer exatamente de onde são, mas dá pra chutar “di cum força” que são europeus. Sentei no corredor de uma fila de asiáticos, que penso eu, são chineses. O avião, apesar de maior por ser vôo doméstico, é bem menos confortável que os da Air Canadá e TAP que eu já viajei. Mas tudo bem, “estou indo pra índia, andar de tok-tok”, eu penso. Não bastasse o espaço ser apertado, o tiozinho do meu lado só não era mais FOLGADO, porque o dia só tem 24hs... Durante a janta, eu peço vinho e ele pede cerveja com GELO!! (sim, gelo. Até o comissário de bordo, que por sinal, não era NADA simpático, estranhou). No meio da minha garrafinha (que eu pedi pra tentar dormir bem), o bonitão pede pra ver a minha garrafa e experimentar o vinho... eu, besta que não sabe dizer não, “empresto”, e o que ele faz?? Toma direto na boca e diz (em um inglês PÉSSIMO): “depois você pede outro pra você”! Noção zero(Y). O pior é que ele passou o vôo inteiro dormindo e caindo em cima de mim, e esticando as pernas no espaço que era do MEU assento! Ah, ele não cheirava nada bem, também. Mas, mais uma vez eu pensei: “relaxa, Coolerman, você está indo para Índia, andar de trem e de ônibus, e lá vai ser BEEEM pior). Pra terminar de lascar comigo, a televisão da minha poltrona não estava funcionando e eu não consegui escutar música nem assistir nada! O jeito foi jantar, tomar SÓ meia garrafinha de vinho (já que me “tomaram” a outra metade) e tomar dois dramins e dormir o sonho dos justos! Graças a Deus o vôo passou mais rápido do que eu imaginava. Só acordei com o café da manhã e logo depois já estávamos pousando em Johannesburg – África do Sul; local da minha conexão, de onde escrevo esse primeiro relato.
Agora aguardo meu vôo para Mumbai (de lá eu tenho que pegar outro avião para Délhi, e de lá, outro avião ou um ônibus para Jaipur... cidade onde vou morar e trabalhar); ou seja, uma longa jornada ainda me aguarda, antes de eu poder, finalmente, esticar minha coluna (que já está gritando aqui) e tomar um bom banho.
Acho que é isso... (como se eu tivesse escrito pouco, né?? ¬¬ ps: se acostumem!). Até a próxima parada, com mais relatos e mais sugar cubes do Caio =D
ps: o fuso aqui na África do Sul são de 5horas a mais que no Brasil.

Ar@und the W@rld


Voltando a postar, depois de quase uma vida de desatualizações, é hora de dar uma cara e histórias novas para esse blog. A partir de agora vocês poderão acompanhar meu "diário de bordo" ao redor do mundo, oportunidade que eu estou tendo, graças aos intercâmbios da AIESEC. Começando pela India!!

Enjoy it!!

sábado, 20 de novembro de 2010

"Madness"



"Cada um sabe a dor e a delícia de ser aquilo que é." (Caetano Veloso)

"Deixa que a loucura escorra em tuas veias. E quando te ferirem, deixa que o sangue jorre enlouquecendo também os que te feriram." (Caio F.)


Imagem: Tela de Maurice Utrillo - Madness

segunda-feira, 21 de junho de 2010





Manchete: Travesti com HIV injeta sangue infectado em enfermeiras de Brasília.


O que mais me chamou a atenção nessa manchete não é a gravidade (dada pela mídia) da situação, mas, a perda da identidade do agressor, por parte de quem a escreveu. A mesma não dá a devida importância ao caso, em si. Não enfatiza o caos em que se transformou a questão da saúde brasileira e a precariedade das instituições públicas que, por falta de contingente e estrutura, deixam mais que a desejar.

Sendo assim, é preferível (leia-se: mais vendável e rentável) tratar a matéria sob outra perspectiva: a da (falta de) identidade do(a) agressor(a). Na própria matéria não se define quem praticou a ação; a manchete fala no masculino enquanto que, no seu desenvolver, os depoimentos das testemunhas se referem à pessoa na sua forma feminina.

Homem ou mulher, o “personagem” dessa “história” parece ser “assexuado” e não ter identidade. Quem quer que tenha escrito essa reportagem, sequer se deu ao trabalho de descobrir o nome da pessoa, bastou denominá-lo de “o travesti”.

É como se quisessem alertar a sociedade: “cuidado: travesti à solta, com seringa infectada pelo vírus do HIV, em punhos.” Passa-se a idéia de que o mesmo só agiu assim, por ser travesti. É como se não tivesse escrúpulos e nem princípios, já que também não tem sexo definido.

Portanto, pouco importa se o mesmo agiu por impulso, por revolta e por desespero (não que justifique a sua atitude, mas, no mínimo, têm-se um “porque”), depois de passar mais de 5 horas no corredor de um hospital, esperando que sua amiga, que estava passando mal, fosse atendida. O que ficou claro era que o fato foi cometido por um TRAVESTI, e, portanto, merece toda e qualquer forma de repúdio pela sociedade.

Como já era de se esperar, o caso só poderia ir parar na delegacia e ser tratado pelas mãos do Estado penal: “De acordo com o delegado Onofre de Moares, o travesti vai responder por tentativa de duplo homicídio. “A partir do momento que ficou constatado no laudo que ele é soropositivo, vai responder por duas tentativas de homicídio qualificado. A pena para cada tentativa é de 12 a 30 anos, diminuída de um ou dois terços porque foi tentativa, e não homicídio consumado”, explicou o delegado.” Só não entendi o nexo de causalidade entre o fato em si, e a punição a qual será submetido o agressor. Dupla tentativa de homicídio qualificado?

Duas perguntas merecem ser feitas ao se ler essa reportagem: 1) está se punindo o fato, em si, ou o AUTOR? 2) se a repressão diz respeito ao fato, por que não julgar, também, o Estado, por não prover o devido e necessário atendimento aos seus pacientes? Uma pessoa que passa 5 horas, agonizando, no corredor de um hospital, não está sendo lesada? Não cabe falar, então, em tentativa de homicídio? E também qualificado (ressaltando o papel de garante do Estado)? Sem contar, é claro, os inúmeros casos de mortes consumadas, por falta de atendimento, ou por infecções causadas pelas péssimas condições sanitárias dos hospitais, ou mesmo pela imperícia, imprudência e negligência de seus funcionários.

Penso que enquanto não soubermos responder tais perguntas, ou mesmo não ousarmos fazê-las, em voz alta, o Estado vai continuar punindo quem quiser e como bem quiser. Resta então torcer para não sermos a sua próxima vítima.

Para ler a reportagem na íntegra: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/06/travesti-com-hiv-injeta-sangue-infectado-em-enfermeiras.html


Alanna Sousa

terça-feira, 15 de junho de 2010

"O escafandro e a borboleta"




*Inspiração advinda do filme "O escafandro e a borboleta"

“Hoje sinto que a minha vida é uma série de frustrações. Mulheres que não fui capaz de amar, oportunidades que eu não soube avaliar, momentos de felicidade que deixei escapar. Uma corrida cujo resultado eu conhecia de antemão, mas falhei em escolher o vencedor. Tenho sido cego e surdo, ou o duro golpe me fez descobrir minha verdadeira natureza?”

Quantas vezes nos sentimos assim? A grama do vizinho está sempre mais verde que a nossa, não é verdade? Os nossos problemas são sempre os maiores do mundo, quando não são os únicos. E a gente tem que pôr-los pra fora; não pra nos sentirmos mais leve, mas pra que alguém sinta pena da gente e venha nos consolar, venha cuidar da gente. Esse altruísmo, mascarado, disfarça essa necessidade íntima.

Quantos de nós estão presos em escafandros pessoais, corporais, mentais? Estão cercados de água, sem peixes pra dizer “oi”, de vez em quando? Essa a é a realidade de muitos, por mais que tentem disfarçar com “sorrisos indecisos” que, a sós, se convertem em lágrimas soltas.

O mundo é mesmo muito injusto, dizem. Mas o que se tem feito para torná-lo mais justo? Ficar deitado na cama, num quarto escuro, o dia inteiro, não ajuda muito. Andamos cegos e surdos para a nossa própria realidade. E às vezes só enxergamos a nossa cegueira e escutamos o nosso silencio quando somos, de fato, atingidos por um duro golpe. Aí chega o tempo das lamentações, dos arrependimentos do que se fez e se deixou de fazer.

“Através da cortina em fiapos, um tênue brilho anuncia a o raiar do dia. Meus calcanhares doem, minha cabeça pesa uma tonelada, todo o meu corpo está encerrado em uma espécie de escafandro. Minha tarefa agora é escrever as inertes anotações de viagem de um náufrago nas praias da solidão.

No fim, nos resumimos a anotações feitas em um pedaço de papel qualquer, escondido em algum canto daquela gaveta que nunca ousamos abrir, porque as baratas do tempo podem nos assombrar. A gente escreve e joga lá, achando que isso vai fazer uma diferença danada, quando na verdade, só se transforma em uma pilha de papel que dificilmente será lido, um dia, por alguém. São nossas reclamações e arrependimentos, que ninguém ouve. Que nós mesmos não queremos ouvir.

Nosso escafandro, jogado ao mar, está preso a uma corda que está na terra, e nós rezamos para sermos puxados de volta a ela. Ninguém quer se dar ao trabalho de nadar. A inércia toma conta daquele corpo, pesado pelas lamentações, e nos mantém debaixo d água.

“Como um marinheiro que vê a praia desaparecer, vejo meu passado se afastar reduzido às cinzas da memória.”.

Essas memórias são traiçoeiras, e costumam falhar. Talvez seja tempo de reavivá-las, ou mesmo de nunca as deixar morrer. “É tempo de me fazer, eu sei”, diria o Caio. É tempo de nadar rumo à superfície, e ao entrar em contato com o ar terreno, se fazer borboleta e voar pelo mundo afora.

É tempo de se criar asas e voar por nossos próprios jardins, aqueles cultivados por nós mesmos, cujas flores precisam ser regadas, para então, serem colhidas.

É tempo de se livrar de nossas armaduras e armadilhas, e voar. Porque ser feliz é tão simples quanto o bater de asas de uma borboleta.

Alanna Sousa


sábado, 12 de junho de 2010

"Para os (e)namorados"


Para aqueles que tanto se orgulham de poder comemorar o dia de hoje (ontem) e para aqueles que não precisam de UM dia para isso, pois já sentem orgulho nos outros 364 dias do ano, eis a minha mensagem:

"Fathers, be good to your daughters
Daughters will love like you do
Girls become lovers who turn into mothers
So mothers, be good to your daughters too" (John Mayer - Daughters)


Alanna Sousa