domingo, 16 de março de 2008

"EU RIO DA CARA DO PERIGO"

E eu, que um dia temi à bichos-papões e à todas essas criaturas imagináveis, porém, inexistentes; hoje temo à vida.
Sim, à vida. A vida e a forma como se vive.
Já não me rendo mais à violência que se vê estampada nas capas de revistas e manchetes de jornais. Tampouco temo a morte; estas nos são inevitáveis.
Pergunto-me então: que devo eu temer, diante de tudo isso?
Temo a vida sem limites, o amor sem ilusão; temo a solidão.
Temo ao meu próximo, o meu semelhante, àquele que nos tira a vida sem pestanejar, sem chance para qualquer tipo de suplício. Temo-o não por que ele pode me levar de encontro com essa tal "morte", mas porque ele me pode tirar a vida.
Para quem não sabe viver, a linha que separa um termo do outro pode parecer tênue, quem sabe, até mesmo inexistente. Mas para mim, que vivo de sonhos e me alimentos dessas ilusões, a diferença me é tão notável, que chega a encomodar.
Mais do que temer aos homens, temo à mim mesma; pois ainda que o homem não seja o lobo do homem - como outrora dissera Hobbes -, sei também que cordeiro ele não o é.
E por temer tudo isso é que vivo assim: enfrentando meus temores, superando obstáculos e desafiando a mim mesma, sempre que possível; pois que perigoso mesmo é viver. E eu?!?... eu "rio da cara do perigo".


Alanna Sousa

Um comentário:

Ananda disse...

Boa, essa do "cordeiro também não é."

Esse negócio de rir na cara do perigo me lembra aquele Felipe (esqueci o sobrenome) que passou em primeiro lugar em não sei qual faculdade.
Brandão, Felipe Brandão!
Ele tipo dando uma palestra encaixou essa frase e foi marcantchy.